Todo o poema começa de manhã, com o sol. Mesmo
que o poema não esteja à vista (isto é, céu de
chuva)
o poema é o que explica tudo, o que dá luz
à terra, ao céu, e com nuvens à mistura - a luz
incomoda
quando é excessiva. Depois, o poema sobe
com as névoas que o dia arrasta; mete-se pelas
copas das
árvores, canta com os pássaros e corre com os
ribeiros
que vêm não se sabe de onde e vão para onde
não se sabe. O poema conta como tudo é feito:
menos ele próprio, que começa por um acaso
cinzento,
como esta manhã, e acaba, também por acaso,
com o sol a querer romper.
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