Carla Pinto Coelho - Como se ainda pudesses escrever poemas


II

Pelo fim da noite sonhei contigo
como se ainda pudesses escrever poemas.

Contaste-me um pequeno segredo que tinha
ficado por dizer, e eu chorei
com os meus braços agigantados na ausência
enrolados em ti, como algas do fundo do mar,
como que a puxarem-te para as profundezas
dos meus abismos.

E tu sorrias e falavas baixinho,
como quem acalma uma criança a quem aconteceu
um sonho mau.

III

Pelo fim da noite sonhei contigo
como se ainda pudesses escrever poemas.

Ainda não acordei.

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