A vós, artistas futuros, desejo-vos que tenhais um
certo tipo de audácia: a revolucionária.
Aquela que vos faça preferir o salto mortal em
busca de um sistema de valores desconhecido em vez de ficarem sentados na terra
num lodo que fede a velho.
Não sei se é uma vergonha ou uma glória
imperecível, mas é assim: são os escravos que criam as maiores canções de
libertação.
Uma ferida que arde:
que a maioria dos artistas revolucionários em
matéria de arte seja em relação às grandes questões do seu tempo conservadora;
e que a maioria dos revolucionários nas questões do seu tempo seja conservadora
na sua relação com a arte.
O mundo quer dormir.
Os artistas, os investigadores e os trabalhadores
mantêm-no desperto.
Para que serve a filosofia se tudo gira em volta
do estômago ou da parte inferior do ventre feminino!
Para os pequenos tudo é delírio de grandeza.
Só os pássaros domésticos têm ânsias. Os selvagens
voam.
Escrevo porque sou débil.
Melhor seria arranjar um machado e avançar pelo
mundo às cutiladas.
Versão de Do trapézio, sem rede, a partir da tradução
castelhana de Francisco J. Uriz.
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