A chuva cai.
Os telhados estão
molhados,
Os pingos escorrem pelas
vidraças.
O céu está branco,
O tempo está novo.
A cidade lavada.
A tarde entardece,
Sem o ciciar das cigarras,
Sem o jubilar dos
pássaros,
Sem o sol, sem o céu.
Chove.
A chuva chove molhada,
No teto dos guarda-chuvas.
Chove.
A chuva chove ligeira,
Nos nossos olhos e molha.
O vento venta ventado,
Nos vidros que se
embalançam,
Nas plantas que se
desdobram.
Chove nas praias desertas,
Chove no mar que está
cinza,
Chove no asfalto negro,
Chove nos corações.
Chove em cada alma,
Em cada refúgio chove;
E quando me olhaste em
mim,
Com os olhos que me
seguiam,
Enquanto a chuva caía
No meu coração chovia
A chuva do teu olhar.
A beleza afectiva de uma sensibilidade descritiva.
A beleza afectiva de uma sensibilidade descritiva.
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