Herberto Helder



e só agora penso:
porque é que nunca olho quando passo defronte de mim
                                              mesmo?
para não ver quão pouca luz tenho dentro?
ou o soluço atravessado no rosto velho e furioso.
agora que o penso e vejo mesmo sem espelho?
─ cem anos ou quinhentos ou mil anos devorados pelo
                       fundo e amargo espelho velho:
e penso que só olhar agora ou não olhar é finalmente                                                           o mesmo

in, a morte sem mestre

Sem comentários:

Arquivo do blogue