
Persiste à nossa volta o erro de
confundir os livros com a literatura. De confundir o suporte com o discurso. Nem
a literatura é redutível ao livro, nem o livro se esgota na
literatura.
No livro não cabem nem o som nem a
memória íntima das palavras, o timbre que ecoa na consciência como correlato de
uma voz que ultrapassa a possibilidade de qualquer fixação gráfica. Na
literatura mal cabe a multiplicidade de registos nos quais o livro se
desdobra.
Importa acreditar mais na
literatura do que no livro. Na voz, no ritmo, no fio de consciência que se faz
mundo. Importa acreditar mais nas palavras do que em qualquer suporte. Acreditar
que literatura é uma forma de compreensão. Não uma explicação, uma compreensão.
Interior e voluntariamente condicionada pelas suas próprias opções. Exigente e
sem compromissos que não sejam o da sua estrita legibilidade.
in, contra mundum
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