Olav Håkonson Hauge - Serrei a macieira ao pé da janela

Serrei a macieira ao pé da janela.
Por um lado, tapava a vista,
a sala de estar ficava pálida no verão,
por outro lado, os grossistas já
não queriam aquela qualidade de maçã.
Pensei no que diria
o meu pai, ele gostava
daquela macieira.
Ainda assim, serrei-a.


Está muito luminoso, posso
ver para lá do fiorde
ou observar
mais vizinhos,
a casa está agora à vista
de todos, mostra
mais de si mesma.


Não quero admiti-lo, mas sinto falta da macieira.
As coisas não são o que eram. Dava um bom abrigo
e boa sombra, o sol espreitava através dos ramos

em direcção à mesa, e à noite eu costumava deitar-me
a ouvir as folhas ao vento. E as maçãs –
de sabor mais apimentado, na Primavera, não há.
Dói sempre que olho o cepo: quando
enfraquecer, irei desfazê-lo em lenha.


Poeta norueguês que viveu entre 1908-1994.

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