'Apaixonamo-nos pelas pessoas, quando as escutamos. Amamo-las. E só deixamos de as desejar quando deixamos de as ouvir. Com as casas passa-se o mesmo. Depois fica apenas uma ténue lembrança. Grata. Porque cheia de memórias.
Permitam-me que insista. As casas são como as pessoas. Porque também haveremos de amá-las mais quando elas deixarem de nos ser. Quando as perdermos. E, então, das duas uma: ou haveremos de desejá-las em ruínas, ou haveremos de desejar a nossa morte. Ou as duas. Depois, não teremos coragem nem para uma coisa nem para outra. Guardaremos essa mágoa. Sobreviveremos.'
Dóris Graça Dias
in, As Casas
Nota: O texto vem a propósito de ouvir alguém dizer que este texto só podia ter sido escrito por uma mulher. Discordo. A maioria dos homens também não esquecem os lugares importantes, só que geralmente são muitos mais.
2 comentários:
Se se lembram de muitos mais, é porque na verdade não dão importância a nenhum.
Completamos a vida com o lugar das estrelas de Janeiro, o lugar das águas do mar, o lugar da Serra do Caramulo, o lugar da aldeia da nossa infância, da primeira escola, da nossa casa, etc. Como diz Lennon em 'In my life' cada local que amámos é parte integrada em nós. Será que tu sentes o que dizes?
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