in, little black spot

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Jen Corace
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'Amar-te é dizer-te: tu não morrerás jamais.'
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'a forma como me deixa abismado a natureza de certas palavras faz-me perder, por vezes, a capacidade de raciocínio. a evidência inequívoca da verdade que carregam é como um soco. procuro virar o rosto a esta frase e ela não mo permite: força-me a olhá-la nos olhos e engolir em seco. porque de facto o reconhecimento do amor traz consigo uma promessa de eternidade. mas não é ainda isso que por si só pacifica ou constrange, é antes a ideia de que lhe é subjacente: a de que nenhum amor poderá então morrer. e se não pode morrer, alturas haverá em que se arrastará morto-vivo pelas concavidades doridas dessa mesma eternidade desastrada. mas isto, isto, pouco importa. importa é que tens um rosto que eu conheço de cor, que amo o que nele houve de comum com o sonho, e que onde quer que estejamos, qualquer que seja a fibra do silêncio que nos divida, tu não morrerás jamais.'
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Nota: É pena o espaço insuficiente do peito e da vida.
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