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A.
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Um dia a areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar
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Janelas e portas vão se abrir p'ra ver você chegar
E ao se sentir em casa sorrindo vai chorar
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Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história p'ra contar de um mundo tão distante
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Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante.
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As luzes e o colorido que você vê agora
Nas ruas por onde anda na casa onde mora
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Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente
Você só deseja agora voltar p'ra sua gente
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Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho
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Um dia vou ver você chegando num sorriso
Pisando a areia branca que é seu paraíso
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Caetano Veloso
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Nota: 'A dupla Eramus-Roberto Carlos criou esta canção como forma de solidariedade para com o colega Caetano Veloso, que na altura se encontrava no exílio em Londres, para onde fora deportado em 1969 pela Ditadura Militar. Caetano já havia composto para Roberto Carlos canções que se tornaram clássicos. Assim, com o amigo em desgraça, os 'Carlos' resolveram homenageá-lo. Roberto Carlos nunca teve problemas com a censura brasileira, muito menos com a repressão militar. Então, como fazer um texto que fosse ao mesmo tempo 'engajado' politicamente, e romântico como sempre foram as suas canções? A saída encontrada foi não citar o nome Caetano Veloso, mas enfatizar a sua marca registada naquela época: os seus cabelos encaracolados. Além disso, o clima romântico da melodia faz-nos imaginar que é a saudade de uma pessoa apaixonada pela ausência da outra, e não o protesto de um amigo solidário.'
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Eugénia Melo e Castro
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