Prendi assim a alegria

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Uma borboleta pousou no corrimão bem ao meu alcance. Prendi-a pelas asas, mas tremeu tanto que soltei-a. Saiu voando buleversada como se tivesse ficado cem anos presa. Nos meus dedos, o pó prateado. Tão breve tudo. Prendi assim a alegria, ainda à pouco foi minha mas debateu-se tanto que abri os dedos antes que se ferisse, não se pode forçar. Um pouco mais que se aperte e não fica só o pó, mas a alma.
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Lygia Fagundes Telles
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