Há
que cair e não se pode escolher onde.
Mas
há uma certa forma que o vento toma nos cabelos,
certa
pausa no golpe,
certa
esquina no braço
que
podemos dobrar enquanto caímos.
É
tão-só o limite de um signo,
a
ponta que não se pensa de um pensamento.
Mas
basta para evitar o fundo avaro de umas mãos
e a
miséria azul de um Deus deserto.
Trata-se
de dobrar um pouco mais uma vírgula
Num
texto que não podemos corrigir.
in,
A árvore derrubada pelos frutos
No poema, a queda simboliza a condição humana diante do
inevitável. O sujeito poético reconhece que não controla o destino nem as
circunstâncias da existência. A imagem da queda sugere vulnerabilidade, risco e
transformação, mas também a possibilidade de descoberta. Ao aceitar a
impossibilidade de escolher "onde" cair, o poema propõe uma reflexão sobre os
limites da liberdade e a necessidade de enfrentar o desconhecido com lucidez e
coragem.

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