Roberto Juarroz - Há que cair e não se pode escolher onde

 


Há que cair e não se pode escolher onde.

Mas há uma certa forma que o vento toma nos cabelos,

certa pausa no golpe,

certa esquina no braço

que podemos dobrar enquanto caímos.


É tão-só o limite de um signo,

a ponta que não se pensa de um pensamento.

Mas basta para evitar o fundo avaro de umas mãos

e a miséria azul de um Deus deserto.


Trata-se de dobrar um pouco mais uma vírgula

Num texto que não podemos corrigir.


  in, A árvore derrubada pelos frutos


      No poema, a queda simboliza a condição humana diante do inevitável. O sujeito poético reconhece que não controla o destino nem as circunstâncias da existência. A imagem da queda sugere vulnerabilidade, risco e transformação, mas também a possibilidade de descoberta. Ao aceitar a impossibilidade de escolher "onde" cair, o poema propõe uma reflexão sobre os limites da liberdade e a necessidade de enfrentar o desconhecido com lucidez e coragem.


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