Rui Pires Cabral

 


Antes não nos pesava

o passado, colhíamos os dias

ainda verdes, a frescura da sua polpa

na vontade dos nossos dedos.

Depois vieram os sinais

dos primeiros cansaços sem remédio,

a noite fincou-se nas pedras,

fez-se de estorvos.

Aquilo que sobrou de ti

cabe-me nos bolsos

e é pouco para as minhas mãos.


      O que sobrou de ti será sempre importante para mim, tanto, tanto como o que não sobrou.

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