It’s impossible to not to feel this feeling of warmth while watching this video.
Sophia de Mello Breyner Andresen - As Rosas
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Heinrich Heine
Os anos vêm e vão,
gerações baixam à terra,
mas nunca em meu coração
fenece o amor que ele encerra
E só quisera, ao morrer,
quando a esperança é já finda,
de joelhos vos dizer:
Senhora, eu vos amo ainda!
Tradução de Luís Cardim
Billy Collins - Forgetfulness
View poetry in an
entirely new and innovative way. Billy Collins, former US Poet Laureate and one
of America's best-selling poets, reads his poem "Forgetfulness" with
animation by Julian Grey of Headgear.
The name of the author
is the first to go followed obediently by the title, the plot, the
heartbreaking conclusion, the entire novel which suddenly becomes one you have
never read, never even heard of, as if, one by one, the memories you used to
harbor decided to retire to the southern hemisphere of the brain, to a little
fishing village where there are no phones. Long ago you kissed the names of the
nine Muses goodbye and watched the quadratic equation pack its bag, and even
now as you memorize the order of the planets, something else is slipping away,
a state flower perhaps, the address of an uncle, the capital of Paraguay.
Whatever it is you are struggling to remember, it is not poised on the tip of
your tongue, not even lurking in some obscure corner of your spleen. It has
floated away down a dark mythological river whose name begins with an L as far
as you can recall, well on your own way to oblivion where you will join those
who have even forgotten how to swim and how to ride a bicycle. No wonder you
rise in the middle of the night to look up the date of a famous battle in a
book on war. No wonder the moon in the window seems to have drifted out of a
love poem that you used to know by heart.
Jorge Sousa Braga - O Livro
Há
um livro que nunca chegarás
a
ler um livro que te escapou
da
mão estava exposto na livraria
mas
outra coisa chamou a tua
atenção
ou alguém o arrumou
em
segunda fila na estante…
Tu
não o sabes – como o poderias
saber?
– mas esse livro descreve
como
e quando vais morrer.
Jorge Sousa Braga - O Poema do cortador de relva
Lê-me
disse ela o poema do
cortador
de relva mas eu já
me
esquecera do poema
apenas
que era de manhã
havia
um rasto de erva cortada
de
fresco e o cortador de relva
eléctrico
no meio do jardim sem que
ninguém
conseguisse explicar
como
fora ele lá parar.
Pedro César Alcubilla
Abre
aí duas mil portas,
sai por elas tranquilamente,
volta a fechá-las de novo
e seguramente não recordarás
que o fizeste.
sai por elas tranquilamente,
volta a fechá-las de novo
e seguramente não recordarás
que o fizeste.
Mas trilha os dedos
uma só vez com uma delas
e a memória vai trilhar-tos
das duas mil vezes seguintes
que voltares a fazê-lo.
uma só vez com uma delas
e a memória vai trilhar-tos
das duas mil vezes seguintes
que voltares a fazê-lo.
Jacques Prévert - Na sala de aula
Dois
e dois quatro
quatro
e quatro oito
oito
e oito dezasseis…
Repitam!
Diz o professor
Dois
e dois quatro
quatro
e quatro oito
oito
e oito dezasseis.
Mas
eis que o pássaro da poesia
passa
no céu
a
criança vê-o
a
criança ouve-o
a
criança chama-o:
Salva-me
brinca
comigo
pássaro!
Então
o pássaro desce
e
brinca com a criança
Dois
e dois quatro…
Repitam!
Diz o professor
e a
criança brinca
e o
pássaro brinca com ela…
Quatro
e quatro oito
oito
e oito dezasseis
e
dezasseis e dezasseis quanto é que faz?
Dezasseis
e dezasseis não faz nada
e
sobretudo não faz trinta e dois
e de
qualquer maneira
eles
vão-se embora.
A
criança escondeu o pássaro
na
sua carteira
e
todas as crianças
ouvem
a música
e
oito e oito por sua vez também se vão
e
quatro e quatro e dois e dois
por
sua vez desaparecem
e um
e um não fazem nem um nem dois
um e
um também se vão dali.
E o
pássaro da poesia brinca
e a
criança canta
e o
professor grita:
deixem
de fazer palhaçadas!
Mas
todas as outras crianças
escutam
a música
e as
paredes da sala
desmoronam-se
tranquilamente.
E os
vidros voltam a ser areia
a
tinta volta a ser água
as
carteiras voltam a ser árvores
o
giz volta ser falésia
e a
caneta volta a ser pássaro.
Sandro Botticelli - The Annunciation. 1490 - 1495
O diálogo mais poético da história teve lugar no interior
de uma casa pobre de Nazaré. Os seus protagonistas são o próprio Deus, que se
serve do ministério de um Arcanjo e uma Virgem chamada Maria, da casa de David,
desposada com um artesão de nome José. Assim pintou Botticelli o acolhimento do sagrado.
Arménio Vieira - Limite

Com pauzinhos
de fósforo podes construir um poema. Mas atenção: o uso da cola estragaria o
teu poema. Não tremas: o teu coração, ainda mais que a tua mão pode trair-te.
Cuidado! Um poema assim é árduo. Sem cola e na vertical, pode levar uma
eternidade. Quando estiver concluído, não o assines, o poema não é teu.
Madeleine Peyroux - Dance Me To The End Of Love
In an interview to The Mike Walsh Show in 1985, Leonard
Cohen said about the song:
'It's curious how songs begin because the origin of
the song, every song, has a kind of grain or seed that somebody hands you or
the world hands you, and that's why the process is so mysterious about writing
a song. But this one came from just hearing or reading or knowing that in the
death camps, beside the crematoria, in certain death camps, a string quartet
was pressed into performance while the horror was going on, those were the
people whose fate was this horror also. And they would be playing classical
music while their fellow prisoners were being killed and burnt. So, that music,
'Dance me to your beauty with a burning violin,' meaning the beauty there of
being the consummation of life, the end of this existence and of the passionate
element in that consummation. But, it is the same language that we use for
surrender to the beloved, so that the song - it's not important that anybody
knows the genesis of it, because if the language comes from that passionate
resource, it will be able to embrace all passionate activity.'
Nota: O que o
autor revela neste pequeno texto torna esta canção assustadora.
O meu medo
o meu medo é o deserto ser um livro,
o mundo todo ou só a minha casa ser um livro,
e eu ser um objecto imundo,
um adereço provisório do autor,
porventura uma gralha corrigida.
o meu medo é que uma palavra grande
faça sombra a uma palavra mais pequena,
como a violência doméstica,
que as tuas mãos,
unidas uma sobre a outra,
não saibam ler-se,
que um dia recebas
a notícia da tua morte.
o meu medo é o coração arder,
os homens comerem outros homens,
a carne ser uma terra boa para as plantas,
ter de ladrar para estar vivo.
o meu medo é ter de ladrar para estar vivo.
in, a tradução da memória
Profecia de Ezequiel
Eis o que diz o Senhor Deus:
.
'Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos,
Eu próprio arrancarei um ramo novo
e vou plantá-lo num monte muito alto.
Na excelsa montanha de Israel o plantarei
e ele lançará ramos e dará frutos
e tornar-se-á um cedro majestoso.
Nele farão ninho todas as aves,
toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos.
E todas as árvores do campo hão-de saber
que Eu sou o Senhor;
humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta,
faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca.
Eu, o Senhor, digo e faço'.
Ez 17, 22-24
.
'Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos,
Eu próprio arrancarei um ramo novo
e vou plantá-lo num monte muito alto.
Na excelsa montanha de Israel o plantarei
e ele lançará ramos e dará frutos
e tornar-se-á um cedro majestoso.
Nele farão ninho todas as aves,
toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos.
E todas as árvores do campo hão-de saber
que Eu sou o Senhor;
humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta,
faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca.
Eu, o Senhor, digo e faço'.
Ez 17, 22-24
Fleet Foxes - White Winter Hymnal
I was following the pack
all swallowed in their coats
with scarves of red tied ’round their throats
to keep their little heads
from fallin’ in the snow
And I turned ’round and there you go
And, Michael, you would fall
and turn the white snow red as strawberries
in the summertime.
Eugénio de Andrade
Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.
Foi para ti que pus o céu na lua
e o verde mais verde nos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
um corpo aberto como os animais.
Cecília Meireles - Cantiguinha
Meus olhos eram mesmo água,
— te juro —
mexendo um brilho vidrado,
verde-claro, verde-escuro.
Fiz barquinhos de brinquedo,
— te juro —
fui botando todos eles
naquele rio tão puro.
Veio vindo a ventania,
— te juro —
as águas mudam seu brilho,
quando o tempo anda inseguro.
Quando as águas escurecem,
— te juro —
todos os barcos se perdem,
entre o passado e o futuro.
São dois rios os meus olhos,
— te juro —
noite e dia correm, correm,
mas não acho o que procuro.
in, Viagem
Canção
Não disse que semeasses a flor
aqui, acolá,
quando ainda não chovia
aqui, acolá.
Eu sei que posso semear a flor
aqui, acolá,
e regá-la com o meu pranto
aqui, acolá.
Sou moça, sou nobre, sou querida
aqui, acolá,
dá-me o amor que te dei
aqui, acolá.
Poema traduzido por Alberto Pimenta do dialecto Quíchua.
aqui, acolá,
quando ainda não chovia
aqui, acolá.
Eu sei que posso semear a flor
aqui, acolá,
e regá-la com o meu pranto
aqui, acolá.
Sou moça, sou nobre, sou querida
aqui, acolá,
dá-me o amor que te dei
aqui, acolá.
Poema traduzido por Alberto Pimenta do dialecto Quíchua.
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