Dougie MacLean - Caledonia




I don't know if you can see
the changes that have come over me
In these past few days I've been afraid
that I might drift away
So I've been telling old stories, singing songs
that make me think about where I came from
and thats the reason why I seem
so far away today.

Oh Let me tell you that I love you
that I think about you all the time
Caledonia you're calling me
now I'm going home
and if I should become a stranger
no it would make me more than sad
Caledonia's been everything I've ever had.

Oh, and I have moved
and I've kept on moving
proved the points
that I needed proving
lost the friends
that I needed losing
found others on the way
Oh and I have tried and kept on trying
stolen dreams yes theres no denying
I've travelled hard with conscience flying
somewhere with the wind.

Now, I'm sitting here
before the fire
the empty room
The forest choir
the flames have cooled
don't get any higher
they've withered now
they've gone
and I'm steady thinking
my way is clear
and I know what
I will do tomorrow
When the hands have shaken.

And the kisses flowed
and I will dissappear.

      Caledónia é a denominação atribuída pelo Império Romano à região setentrional da ilha da Grã-Bretanha, grosso modo correspondente ao território actual da Escócia. Em alguns contextos pode significar o norte da área da Muralha de Adriano. Em outro contexto pode significar o norte da área da Muralha de Antonino. Em inglês e em scots Caledonia é agora um nome romântico ou poético para Escócia, comparável com Hibérnia para a Irlanda e Cambria para País de Gales. A canção é lindíssima

David Mourão-Ferreira


Tudo principiava
pela cúmplice neblina
que vinha perfumada
de lenha e tangerinas

Só depois se rasgava
a primeira cortina
E dispersa e dourada
no palco das vitrinas

a festa começava
entre odor a resina
e gosto a noz-moscada
e vozes femininas

A cidade ficava
sob a luz vespertina
pelas montras cercada
de paisagens alpinas.

New American painters


Anja Salonen


Zevitas Marcus


Blaise Rosenthal


John Sabraw


Barbara Kruger


Maja Ruznic


Eric Tillinghast


Katherine Bradford


Rebecca Morris


Andrew Katz

Arte que sugere e onde quem observa é a parte maior.

Affonso Romano de Sant'Anna - Cilada verbal


Há vários modos de matar um homem:
com o tiro, a fome, a espada
ou com a palavra
– envenenada

Não é preciso força.
Basta que a boca solte
a frase engatilhada
e o outro morre
– na sintaxe da emboscada.

Rui Miguel Fragas


Caminham as mulheres com as suas extensas lezírias
e luas em trânsito.
Vêm de cidades submersas anteriores às cidades
dos musgos e fetos de flores primitivas.
Surgem dos lugares iniciais
e trazem o lume da distância para perto.

Vestem brancos linhos azuis que o vento volteia
desde o livro de Moisés.
No aceso silêncio dos olhos derramam intensos perfumes
e com o longo lavrado dos cabelos encobrem
o lustro da nuca e inclinam a varanda dos ombros
para uma paisagem de penumbras iluminadas.

Quando sobre o restolho distendem as pernas
definem num sopro o relevo das planícies.
Erguem casas nas margens dos lagos, erguem todas as casas
nas margens do pensamento.
E um palmo depois da soleira da porta a noite reincide
o mundo cai a pique depois da última parede.

Maria Sousa


porque falas cada vez menos?
como não saio
já ninguém me diz boa tarde

lentamente vou deixando de saber ouvir

lá fora as ruas são ruído
mas tudo acaba com a porta fechada

Ana Alcaide - Luna Sefardita




Se ha callado la soledad
en esta alborada nueva
A orillita de la ciudad
duerme la primavera.

Con sus ojos de abril
las colinas florecen su trigo hacia el sol
Se recuestan en oro
galas de despedida.

Dime Alina, ¿que mala estampa
hierve en tu sangre hebrea?
De la aljama sales cantando
con un puño de arena.

Vagas sin mirar atrás
no habrá nadie que prenda la lumbre en tu hogar
Sigue el signo de azar
de la luna sefardita.

Donde están las llaves de España,
¿quien abrirá sus puertas?
Donde guarda un pueblo sin alma
todas las horas muertas.

Vienen de dos en dos,
las carretas llorando su herida de amor,
a perderse en los ojos
de la luna sefardita.

      Cuando la nostalgia de tierra santa tenía olor a queso manchego y sabor a lengua árabe. Y las canciones de los Judios resonaban en tierras que no eran todavía deforestadas por la guerra, mirando hacia el desierto de Jerusalén.
      Cuando la arena erigía templos del saber, Maimonides leía a Avicena y Avicena leía a Aristóteles. Y la media luna chocaba con la cruz alzada, Damasco y Toledo en un un beso que desgastaba el acero.

Gustave Caillebotte



      Gustave Caillebotte (1848-1894) was a French painter, member and patron of the artists known as Impressionists, although he painted in a much more realistic manner than many others in the group. Caillebotte was noted for his early interest in photography as an art form.

A. M. Pires Cabral


E todavia,
as risadas do melro na gaiola
fazem-me rasgões por dentro
como se em vez de riso fossem pranto.

Porque eu sou como ele:
alguém me reduziu o tamanho do quintal
até o quintal ficar isto que se vê
- e eu a defendê-lo a golpes de riso.

Como o melro, tal e qual.

Anda Jaleo Jaleo




Yo me subí a un pino verde
por ver si la divisaba,
y sólo divisé el polvo
del coche que la llevaba.

Anda jaleo, jaleo;
ya se acabó el alboroto
y ahora empieza el tiroteo.

En la calle de los muros
mataron a una paloma.
Yo cortaré con mis manos
las flores de su corona.

No salgas, paloma, al campo,
mira que soy cazador,
y si te tiro y te mato
para mi será el dolor,
para mi será el quebranto.

      Um tema cantado durante a Guerra Civil trabalhado por Lorca. 

Ricardo Tiago Moura


aos pés dos pássaros
semear migalhas
sem explicação:

(oração pequenina)

fazer encontrar
grão último
sentido

Manuel de Freitas - Um último nome


      Eu dantes escrevia poemas, como diria Karen Blixen da sua quinta em África ou Álvaro de Campos do dia do seu aniversário. Os versos tornaram-se-me prosa baça, apontamentos, meros diálogos ou evocações. Evito metáforas e ardis retóricos como quem evita aviões ou eléctricos cheios de ninguém. Custa-me, por vezes, reconhecer a cidade onde decidi viver.

      Falar da morte — sempre foi isso, creio, a minha poesia. Embora, tenho de acrescentar, nunca apenas isso. Entre mim e o suicídio interpôs-se, por exemplo, a Paixão segundo São Mateus de Bach. Posso dizê-lo, agora que já não me vou matar mas irei certamente morrer. Eu que talvez nunca me tenha querido matar, mas que precisei tanto da certeza de o poder fazer.

Outra vez o tempo









Pouco para tanto.

Luís Filipe Parrado - Teoria da narrativa familiar


Naquele tempo o meu pai trabalhava
por turnos
como herói socialista
no sector siderúrgico
e dormia com a minha mãe.
A minha mãe esfregava
a sarja encardida:
a água ficava da cor da ferrugem.
Havia, por perto, um cão
esgalgado,
sempre a rondar.
Depois, a minha irmã nasceu
e eu fui obrigado
a rever a minha mitologia privada do caos.
Entre uma coisa e outra
aprendi a mentir.
E isso, não sei se sabem, mudou tudo.

João Luís Barreto Guimarães - Decepção à Regra


Sentar-me e
ver os outros passar é o
meu exercício favorito. Entretém.
Não esgota.
É gratuito. Neste meu jogo-do-não
são os outros que passam
(é aos outros que reservo a tarefa
de passar). Lavo daí os pés.
Escrevo de dentro da vida.
Pode até parecer que assim não
chego a lugar algum mas também quem
é que quer ir
ao sítio dos outros?

Jorge Montealegre


Todos os vizinhos do meu bairro
dormem a sesta.
Mas há crianças
que batem às portas
incomodando.
Pedem pão
e não deixam escrever
os melhores poemas
sobre a fome.

The Claire Hastings Band - The Trooper and the Maid



A trooper lad cam’ here last nicht
Wi’ ridin’ he was weary
A trooper lad cam’ here last nicht
When the moon shone bricht and clearly.

Chorus
Bonnie lassie I’ll lie near ye noo
Bonnie lassie I’ll lie near ye
An I’ll gar a' yer ribbons reel
Or the morning ere I leave ye.

She’s ta’en his heich horse by the heid
An’ she’s led him tae the stable
She’s gi’en him corn an’ hay till ate
As muckle as he was able.

She’s ta’en the trooper by the han’
An’ she’s led him tae her chamber
She’s gi’en him breid an’ wine tae drink
An’ the wine it was like amber.  R.

She’s made her bed baith lang an’ wide
An’ she’s made it like a lady
She’s ta’en her coatie ower her heid
Says ‘Trooper are ye ready?’.

He’s ta’en aff his big top coat
Likewise his hat an’ feather
He’s ta’en his broadsword fae his side
An’ noo he’s doon aside her. R.

They hadna’ been but an oor in bed
An oor an half a quarter
When the drums cam’ beatin up the toon
An’ ilka beat was faster

It’s ‘Up, up’ an oor curnel cries
It’s ‘Up, up an’ awa’ then’
It’s ‘Up, up’ oor curnel cries
For the morn it is oor battle day! R.

She’s tae’en her cloakie ower her heid
An’ she’s followed him doon tae Stirlin’
She’s grown sae fu’ an’ she couldna boo
An’ they left her in Dunfermline

‘Bonnie lassie I maun leave ye noo
Bonnie lassie I maun leave ye
An’ oh but it does grieve me sair
That ever I lay sae near ye' R.

It’s ‘when will ye come back again
My ain dear trooper laddie
When will ye come back again
An be your bairnie’s daddy?’

‘O haud your tongue my bonnie lass
Ne’er let this partin grieve ye
When heather cowes grow ousen bows
Bonnie lass I’ll come an’ see ye’  R.

Cheese an’ breid for carles an’ dames,
Corn an’ hay for horses
Cups o’ tea for auld maids
Bonnie lads for bonnie lassies.

      A beleza do “Scottish accent”.

Mary Oliver - Cavalos azuis, de Franz Marc



Passo para dentro do quadro dos quatro cavalos azuis.
Não chego a espantar-me por conseguir fazê-lo.

Um dos cavalos avança na minha direção.
O seu nariz azul fareja-me levemente. Ponho o meu braço
em volta da sua crina azul, não para o prender, apenas para nos ligarmos.
Ele permite-me esse prazer.
Franz Marc morreu jovem, o cérebro rebentado pela metralha.
Eu havia de preferir morrer a ter de explicar o que é a guerra aos cavalos azuis.
Eles tombariam desfalecidos, tomados pelo horror, ou simplesmente não acreditariam nas minhas palavras.
Não sei como posso agradecer-lhe, Franz Marc.
Talvez o nosso mundo possa tornar-se um dia mais bondoso.
Talvez o desejo de criar algo de maravilhoso seja a semente de Deus que existe em cada um de nós.
Agora os quatro cavalos aproximam-se ainda mais, inclinam as cabeças sobre mim como se tivessem segredos a revelar.
Não espero que me falem, e eles não o fazem.
Se serem belos como são não é suficiente, o que poderiam eles dizer?

O quadro do banqueiro Ricardo Salgado



      70 anos depois, o quadro secreto do banqueiro Ricardo Salgado vai ser revelado publicamente. A pintura era a favorita do antigo banqueiro e estava pendurada no seu gabinete, no último andar da sede do Banco Espírito Santo (BES), na Avenida da Liberdade em Lisboa.
      A tela intitulada "Festa de Casamento" do pintor flamengo Pieter Bruegel, o Jovem, vai passar a estar exposta no Museu Nacional Fei Manuel do Cenáculo, em Évora, aos habitantes e visitantes desta cidade da região do Alentejo.
      Após a venda do Novo Banco aos americanos da Lone Star foi assinado um acordo, no qual um conjunto de arquivos do banco não pode sair de Portugal, devendo ser distribuídos, no caso dos quadros, aos museus nacionais.
      O que era de um, agora, pode ser para todos.

Buraco negro a 55 milhões de anos-luz



      É a revelação da primeira imagem de um buraco negro supermaciço, um dos mais importantes testes observacionais da teoria da Relatividade Geral de Einstein e da humanidade. A sombra que vive no centro da super-galáxia Messier 87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, foi divulgada esta quarta-feira (10 de abril 2019) em todo o mundo durante seis conferências de imprensa simultâneas em Bruxelas, Washington, Santiago, Xangai, Taipei e Tóquio. 
      Foram precisos oito radiotelescópios espalhados pelo planeta Terra ligados em rede para captar a imagem. "É maior do que todo o sistema solar, um dos maiores buracos negros que pensamos que existe. É um autêntico monstro.", afirmou à BBC, Heino Falcke, o cientista alemão que propôs a experiência.

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