Empty Bottle String Band - Wildwood Flower




Oh, I'll twine with my mingles and waving black hair
With the rose so red and the lilies so fair
And the mirltes so bright with the emerald dew
The pale and the leader and eyes look like blue.

I will dance I will sing and my laugh shall be gay
I will charm every heart in her crown I will sway
When I woke from my dreaming my idols were clay
All portions of love had all blown away.

Oh, she taught me to love her and promised to love
And to cherish me over all others above
How my heart is now wondering no misery can tell
She left me no warning no words of farewell.

Yes, she taught me to love her and call me her flower
That was blooming to cheer her through life's dreary hour
Oh, I long to see her and regret the dark hour
She's gone and neglected her pale wildwood flower.

      "Wildwood Flower" is a variant of the song "I'll Twine 'Mid the Ringlets", published in 1860 by composer Joseph Philbrick Webster, who wrote the melody. The original Carter Family first recorded it in 1928 and made it well-known.

Nuno Júdice


Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

Shadab Vajdi - Analfabeto


Conheço um homem
que lê todas as inscrições em pedras antigas
e que sabe
as gramáticas de todas as línguas, mortas ou vivas,
mas que não consegue ler
os olhos de uma mulher
que ele pensa que ama.

Amedeo Modigliani - Rapariga sentada



Ninguém
oferece flores.

O poeta quer escrever sobre um pássaro:
e o pássaro foge-lhe do verso.

O poeta quer escrever sobre a maçã:
e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.

O poeta quer escrever sobre uma flor:
e a flor murcha no jarro da estrofe.

Então, o poeta faz uma gaiola de palavras
para o pássaro não fugir.

Então, o poeta chama pela serpente
para que ela convença Eva a morder a maçã.

Então, o poeta põe água na estrofe
para que a flor não murche.

Mas um pássaro não canta
quando o fecham na gaiola.

A serpente não sai da terra
porque Eva tem medo de serpentes.

E a água que devia manter viva a flor
escorre por entre os versos.

E quando o poeta pousou a caneta,
o pássaro começou a voar,

Eva correu por entre as macieiras
e as flores nasceram da terra.

O poeta voltou a pegar na caneta,
escreveu o que tinha visto,

e o poema ficou feito.

      Nuno Júdice

Mia Couto - Flores


A flor,
em sua fugaz existência,
já é oferenda.

Talvez, alguém,
de amor,
se ofereça em flor.

Mas só a semente
oferece flores.

The Jungle Book - My Own Home



      Baloo and Bagheera couldn’t help in a sequence that has ruined many lives "She did that on purpose". What I learn in this clip is that a clay pot doesn't break despite dropping down at least four steps of stone.

Marianne von Werefkin












Marianne von Werefkin (1860 – 1938) was a native of Russia.

Sophia de Mello Breyner Andresen - Che Guevara


Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece.

Carlos Poças Falcão


Há sempre a laranjeira no quintal.
Ali a verde salsa. Além a hortelã.
Ao fundo o limoeiro. Do caleiro
o marulhar da água. Sobre a casa
a sonolência. O gato a ronronar.
Abra-se a janela para me maravilhar.
Ainda sou pequeno. Estou ainda a acumular
tardes como essa, liquidas e verdes.
Passem muitos anos para aqui as inventar.

Wislawa Szymborska - As três palavras mais estranhas


Quando pronuncio aa palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.

O regresso aos jovens



Fazer crescer a macieira com o coração.

VOCES8 - 'Lay a Garland' by Robert Lucas Pearsall



Lay a garland on her hearse
of dismal yew.
Maidens, willow branches wear,
say she died true.
Her love was false, but she was firm
Upon her buried body lie
lightly, thou gentle earth.

      O solstício do verão está a acabar. Depois da Terra desejar tanto a proximidade do sol e nos oferecer estes dias longos onde as lágrimas de Íris já fertilizaram o vale do Nilo, na festa de Cronos os escravos já foram servidos pelos senhores, no festival de Vestfália as mulheres casadas já entraram no templo sagrado das virgens para fazer as suas oferendas e na tradição celta os druidas já colheram o visco. É tempo de regressar.

Luís Filipe Parrado - Partes de um todo


Esta tarde, sentado num banco de jardim,
tentava ler um livro difícil
enquanto esperava por ti.
O livro tornava mais dura, mais penosa, a espera.
Então levantei os olhos das páginas,
pousei o livro, vi um homem novo
aproximar-se e passar à minha frente
com um saco plástico
com maçãs vermelhas numa das mãos
e uma caixa de cartão, com ovos, na outra.
O saco de plástico era transparente
e revelava nitidamente o esplendor e a forma
perfeita das maçãs, todas muito juntas
como partes de um todo.
Não consegui deixar de as olhar,
e tu chegaste logo de seguida.
Só agora, depois do jantar
e da loiça lavada, me lembrei do livro
que ficou no banco do jardim.

Eunice de Souza - Alibi


My love says
for god’s sake
don’t write poems
which heave and pant
and resound to the music
of our thighs
etc.
Just keep at what you are:
a sour old puss in verse
and leave the rest to me.

Inês Fonseca Santos - As coisas em imagens


Cortam-me o cabelo à tigela.
Sentam-me no banco do jardim
sem flores, só cabos que ligam máquinas
como órgãos: o coração aos pulmões, o estômago ao útero.

Devia ter escrito: «Entre as coisas em palavras e as coisas
em imagens há uma distância longa como um túnel em forma de cone.
No vértice, eu, despida do teu nome – coisas, palavras, imagens.»

O vento incomoda as árvores
enquanto procuro o caminho de casa.

Mia Couto - O dito pelo dito


Antes, eu dizia:
não me apetece nada.
E mentia.

Agora, digo:
apetece-me o nada.
E me desminto
para não dizer a verdade.

Paige Anderson & The Fearless Kin - Long Black Veil




Ten years ago, on a cold dark night
Someone was killed, 'neath the town hall light
There were few at the scene, but they all agreed
That the slayer who ran, looked a lot like me.

The judge said son, what is your alibi
If you were somewhere else, then you won't have to die
I spoke not a word, thou it meant my life
For I'd been in the arms of my best friend's wife.

She walks these hills in a long black veil
She visits my grave when the night winds wail
Nobody knows, nobody sees
Nobody knows but me.

Oh, the scaffold is high and eternity's near
She stood in the crowd and shed not a tear
But late at night, when the north wind blows
In a long black veil, she cries ov're my bones.

      We have to trust the qualities of the young generation. It's not only touch screen. Long Black Veil is a 1959 country ballad. It is told from the point of view of an executed man falsely accused of murder. He refuses to provide an alibi, since on the night of the murder he was having an affair with his best friend's wife, and would rather die and take their secret to his grave than admit the truth. The chorus describes the woman's mourning visits to his grave site, wearing a long black veil and enduring a wailing wind.

Filipa Leal


Nos dias tristes não se fala de aves.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.

Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.

Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma.

Ana Teresa Pereira


Talvez seja possível amar uma mulher por causa de um livro, de um poema sublinhado, de um filme a preto e branco, de uma casa, do olhar de um homem quando fala dela, da forma como o seu cão a espera. Da reprodução de um Mondrian na parede da sala.
Talvez seja possível amar um homem por causa de um livro, de um poema de Stevenson, «my house, they say», dos olhos de uma mulher quando fala dele, da forma como o seu cão o espera.

Perugino



The solemn angelic sacred beauty.

My catholic education



I'm in the space between.

José Manuel de Vasconcelos - O odor das alfavacas


Meu pai falava do odor das alfavacas
e eu corria ao dicionário («Planta labiada, semelhante
ao manjericão…»), logo decepcionado
Imaginava uma vaca primordial
depositária de bíblicos segredos
capaz de mudar o curso das coisas
de ser fundamental, talvez, na minha vida
mas nada disso: havia-as de caboclo, de cobra, dos montes,
do campo, de cheiro (certamente as do meu pai)
e nenhuma referência à cornuda que apascentava
a minha imaginação
Aprendi assim a desconfiar das palavras
e da realidade
a ver como ambas nos enganam
sem qualquer piedade.

Maria do Rosário Pedreira


Deixei de ouvir-te. E sei que sou
mais triste com o teu silêncio.

Preferia pensar que só adormeceste; mas,
se encostar ao teu pulso o meu ouvido,
não escutarei senão a minha dor.

Deus precisou de ti, bem sei. E
eu não vejo como censurá-lo

ou perdoar-lhe.

Bernardo Soares


"O coração, se pudesse pensar, pararia."

Amalia Bautista


Eu sempre perguntava coisas tontas,
é certo. Perguntava, por exemplo,
se voltarias a amar-me tanto
como nos dias do amor mais jovem,
ou mesmo mais, ou mesmo mais que nunca,
mesmo mais que a ninguém, e se serias
capaz de confessá-lo ante qualquer.
É certo, perguntava coisas tontas,
não merecia uma resposta séria.
Aquele ser, mais escuro que a noite
mais escura da alma, respondia
sem olhar-me nos olhos: «Nunca mais.»

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