Uma escolha
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. Entre o estudo do trompete e da guitarra, a Lara escolheu a segunda. No Conservatório de São José da Guarda sentiu-se motivada por um grupo de professores excepcionais que combinavam: disciplina, técnica, beleza e alma. Tudo isto, num espírito de grupo dinâmico onde pontuavam o respeito e a amizade. E porque na aprendizagem os modelos são importantes, à pouco, mostrou-me este exemplo de canon para duas guitarras.
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Notícias já antigas
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Lembro a surpresa com que escutei esta versão de Silent Night pela primeira vez. 'Se fosse o Dylan!?'. O contraste entre o noticiário na rádio sobre a guerra no Vietname, e a paz da célebre melodia austríaca, traçaram uma tal amplitude no peito, que perturbava. Ainda hoje perturba.
Os 3 Reis do Oriente
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A melhor descrição dos três reis magos que chegou até nós, foi feita por São Beda, 673-735, que no seu tratado 'Excerpta et Colletanea' relata assim: 'Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus; Gaspar era jovem, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio; Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira com o seu melhor camelo do Golfo Pérsico'.
Melquior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltasar, mirra em reconhecimento da humanidade.
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Feliz Natal
Aniki Bóbó - formato digital
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..Inspirado no livro 'Meninos Milionários', da autoria de José Rodrigues de Freitas, Aniki Bóbó (1942) é um conto de impressionante dimensão poética sobre as dores e as alegrias do primeiro amor, das primeiras amizades e das primeiras pequenas grandes escolhas da vida.
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No Porto dos anos 40, entre a escola, a brincadeira e os mergulhos nas águas do Douro com as outras crianças, na Ribeira, Carlitos disputa a atenção de Terezinha com Eduardo, o líder do seu grupo de amigos. Cedendo às ânsias do coração, Carlitos rouba da 'Loja das Tentações' a boneca dos sonhos de Terezinha. Orgulhoso a princípio, depressa percebe que o bem que lhe fez não é tão grande como o mal provocado pelo acto cometido. A situação piora quando um acontecimento trágico o torna suspeito de um crime que não cometeu.
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Duma certa ingenuidade tocante, a história de Carlitos encerra um drama moral, desenvolvido num jogo de dicotomias, em que os conceitos de amor e ódio, amizade e ingratidão, desejo e interdição, culpa e perdão, vida e morte se confrontam, naturalmente, como partes integrantes da pessoa.
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Neste filme, a imagem tem uma força extraordinária, muito mais do que a palavra – mesmo quando as crianças se juntam e discorrem, de noite sob a luz de um lampião, sobre a morte e a vida -, oferecendo-nos uma belíssima lição sobre o uso, magistral, da luz, com jogos de sombras fantásticos. E a acompanhar a essência natural do conteúdo, a naturalidade técnica, dos desempenhos das crianças e dos cenários.
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Percursor, na assumpção da crítica europeia à data da sua estreia, do neorealismo italiano, Aniki Bóbó perpetua, no discurso cinematográfico uma modernidade intemporal.
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Margarida Ataíde
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Nota: O filme está limpo como merece.
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A crise
Dois cliques
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A frase de Upton Sinclair 'É difícil conseguir que um homem perceba uma coisa quando o seu salário depende de não percebê-la', resume muito bem um princípio de política que corrompe o debate democrático. Aceitar as razões dos outros quando elas chocam com os nossos interesses pessoais, sejam eles legítimos ou inconfessáveis, representa sempre um acto de coragem e de entrega para o qual poucos de nós estamos preparados.
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in A Terceira Noite
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53 IVG legais em cada dia
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A lei é de 1997 e os resultados impressionam pela violência: 18.607 em 2.008, 19.572 em 2009 e nos primeiros 8 meses de 2010 contam-se 13.033 abortos legais. Há mulheres a fazerem 3 abortos em dois anos - 354 mulheres foram reincidentes. O Estado gastou mais de 7 millhões de Euros só este ano. Estes dados estão no jornal I de 22 de Dezembro de 2010. Há que fazer uma reflexão.
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Ensemble Obsidienne - Como Somos Per Consello
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Como somos per conssello do demo perdudos, assi somos pelo da Virgen tost' acorrudos . Desto direi un miragre, onde gran façanna fillaredes, que a Virgen fezo en Espanna dun ome que de diabos ha gran conpanna levavan pera paren con os descreudos. Este sobrejoyz era da vila bõa en que viçosa tia muito ssa pessõa, mui gran mannãa jantando e cand' a nõa, e grandes dões fillava, ca non dos miudos.
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Ler
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O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque sabe que é mortal. Vive em sociedade porque é gregário, mas lê porque se sente só. A leitura constitui para ele uma companhia que não ocupa o lugar de nenhuma outra, mas que nenhuma outra poderia substituir. Não lhe oferece nenhuma explicação definitiva acerca do seu destino, mas tece uma apertada rede de conivências entre a vida e ele. Ínfimas e secretas conveniências que falam da paradoxal alegria de viver, mesmo quando referem o trágico absurdo da vida. Por isso as razões que temos para ler são tão estranhas como as que temos para viver.
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W. A. Mozart - Piano Sonata No. 6 K. 284
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Lise de la Salle nasceu em Cherbourg na França, há 22 anos, e o seu talento revelou-se cedo, o que a levou a ser admitida, com apenas 11 anos, no Conservatório Superior de Paris. Com as linhas melódicas das claves de Fa e de Sol decoradas e trabalhadas no seu mundo interior, chegaram até mim como se fosse possível ao homem a perfeição. Os meus sentidos foram insuficientes na Casa da Música.
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Se queres ver a Deus, abre os olhos da alma
Camilo expulso da Escola
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'Nada justifica a exclusão no Ensino Secundário do escritor Camilo Castelo Branco. Experimentem ler o Amor de Perdição com jovens adolescentes e verão que eles se entusiasmam com a história, se identificam com as personagens e que estão longe de considerar ridícula a paixão que inflama Simão, Teresa e Mariana. São jovens e, naturalmente, querem conhecer a verdade sobre o amor, desejam para as suas vidas experiências marcantes e insubstituíveis, como as que estão na obra camiliana. Se, como diz Italo Calvino, "os clássicos são os livros de que se costuma dizer: 'Estou a reler...' e nunca 'estou a ler', a amputação é dupla, pois que não se dá sequer a possibilidade de ler pela primeira vez.'
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Arnaldo Lopes Marques, in JL Dezembro de 2010
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Jordi Savall, Hespèrion XXI - Pavana & Gallarda
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Dando crédito ao Dicionário Aurélio, Século XXI: no começo do séc. XVI, denominava-se por Pavana uma dança de corte, provavelmente de origem castelhana ou italiana, em compasso binário ou quaternário, de andamento lento e majestoso. Depois de 1600, popularizou-se como peça instrumental, com características da antiga dança, e geralmente seguida por uma galharda.
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As 4 velas do Advento
Harold Bloom
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Escreve e lê só o que vale a pena.
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'O que leio e ensino guia-se por três critérios somente: o fulgor estético, a força intelectual e a sabedoria. As pressões sociais e as modas jornalísticas podem obscurecer estes critérios durante algum tempo, mas as obras conjunturais nunca perduram. O espírito regressa sempre às suas exigências de beleza, de verdade e inteligência.'
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'Escritores como Shakespeare, Dante, Cervantes e Milton não têm rival na história literária. São escritores tão fortes que suas obras e personagens alteraram os rumos da história literária futura. Continuamos vivendo sob seu impacto. Eles são dotados de poderes literários extraordinários. Chamá-los de génios, portanto, é fazer-lhes justiça.'
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Debaixo dos caracois dos teus cabelos
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A.
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Um dia a areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar
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Janelas e portas vão se abrir p'ra ver você chegar
E ao se sentir em casa sorrindo vai chorar
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Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história p'ra contar de um mundo tão distante
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Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante.
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As luzes e o colorido que você vê agora
Nas ruas por onde anda na casa onde mora
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Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente
Você só deseja agora voltar p'ra sua gente
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Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho
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Um dia vou ver você chegando num sorriso
Pisando a areia branca que é seu paraíso
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Caetano Veloso
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Nota: 'A dupla Eramus-Roberto Carlos criou esta canção como forma de solidariedade para com o colega Caetano Veloso, que na altura se encontrava no exílio em Londres, para onde fora deportado em 1969 pela Ditadura Militar. Caetano já havia composto para Roberto Carlos canções que se tornaram clássicos. Assim, com o amigo em desgraça, os 'Carlos' resolveram homenageá-lo. Roberto Carlos nunca teve problemas com a censura brasileira, muito menos com a repressão militar. Então, como fazer um texto que fosse ao mesmo tempo 'engajado' politicamente, e romântico como sempre foram as suas canções? A saída encontrada foi não citar o nome Caetano Veloso, mas enfatizar a sua marca registada naquela época: os seus cabelos encaracolados. Além disso, o clima romântico da melodia faz-nos imaginar que é a saudade de uma pessoa apaixonada pela ausência da outra, e não o protesto de um amigo solidário.'
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Eugénia Melo e Castro
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Is 11, 1-10
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O rolo de Isaías
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Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.
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Leitura do Livro de Isaías
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Nota: Não é utopia cristã, o lobo vive com o cordeiro. Sempre viveu.
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in, little black spot
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Jen Corace
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'Amar-te é dizer-te: tu não morrerás jamais.'
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'a forma como me deixa abismado a natureza de certas palavras faz-me perder, por vezes, a capacidade de raciocínio. a evidência inequívoca da verdade que carregam é como um soco. procuro virar o rosto a esta frase e ela não mo permite: força-me a olhá-la nos olhos e engolir em seco. porque de facto o reconhecimento do amor traz consigo uma promessa de eternidade. mas não é ainda isso que por si só pacifica ou constrange, é antes a ideia de que lhe é subjacente: a de que nenhum amor poderá então morrer. e se não pode morrer, alturas haverá em que se arrastará morto-vivo pelas concavidades doridas dessa mesma eternidade desastrada. mas isto, isto, pouco importa. importa é que tens um rosto que eu conheço de cor, que amo o que nele houve de comum com o sonho, e que onde quer que estejamos, qualquer que seja a fibra do silêncio que nos divida, tu não morrerás jamais.'.
Nota: É pena o espaço insuficiente do peito e da vida.
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Trabalhar no campo
Para A.
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'A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...TUDO BEM! O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.'
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Chico Xavier
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Nota: A imagem mostra apenas dois pronomes pessoais e não possessivos.
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Prendi assim a alegria
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Uma borboleta pousou no corrimão bem ao meu alcance. Prendi-a pelas asas, mas tremeu tanto que soltei-a. Saiu voando buleversada como se tivesse ficado cem anos presa. Nos meus dedos, o pó prateado. Tão breve tudo. Prendi assim a alegria, ainda à pouco foi minha mas debateu-se tanto que abri os dedos antes que se ferisse, não se pode forçar. Um pouco mais que se aperte e não fica só o pó, mas a alma.
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Lygia Fagundes Telles
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La peregrinacion
Dois cliques
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A fuga para o Egipto em marfim
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A la huella, a la huella
Jose y Maria
Por las pampas heladas
Cardos y ortigas.
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A la huella, a la huella
Cortando campo
No hay cobijo ni fonda
Sigan andando.
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Florecita del campo,
Clavel del aire
Si ninguno te aloja
¿adonde naces?
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¿donde naces, florcita
Que estas creciendo,
Palomita asustada,
Grillo sin sueño?
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A la huella, a la huella
Jose y maria
Con un dios escondido
Nadie sabia.
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A la huella, a la huella
Los peregrinos
Prestenme una tapera
Para mi niño.
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A la huella, a la huella
Soles y lunas
Los ojitos de almendra
Piel de aceituna.
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¡ay burrito del campo!
¡ay buey barcino!
¡que mi niño ya viene,
Haganle sitio!
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Un ranchito de quincha
Solo me ampara
Dos alientos amigos
La luna clara
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A la huella, a la huella
Jose y maria
Con un dios escondido
Nadie sabia.
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Nota: Há sempre canções de Natal que ficam dentro de nós. Esta ouvi-a primeiro em Língua Portuguesa, escrevi os versos num livro de canções e registei o acompanhamento. Alguns anos mais tarde, o meu colega e amigo Jorge Santos resolveu cantá-la em grupo na Casa do Povo de Tondela. Hoje, e com alguma surpresa, a minha filha Dolores levou-me ao original que é da América Latina.
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Os pássaros nascem na ponta das árvores
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Tela de Lynne Alexandre
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As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
Mas deixo essa forma de dizer ao romancista
É complicada e não se da bem na poesia
Não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração.
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Ruy Belo
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O olhar de Deus
Ao volante do Chevrolet
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Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco
Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça,
Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter,
Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...
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Maleável aos meus movimentos subconscientes do volante,
Galga sob mim comigo o automóvel que me emprestaram.
Sorrio do símbolo, ao pensar nele, e ao virar à direita.
Em quantas coisas que me emprestaram eu sigo no mundo
Quantas coisas que me emprestaram guio como minhas!
Quanto me emprestaram, ai de mim!, eu próprio sou!
À esquerda o casebre — sim, o casebre — à beira da estrada
À direita o campo aberto, com a lua ao longe.
O automóvel, que parecia há pouco dar-me liberdade,
É agora uma coisa onde estou fechado
Que só posso conduzir se nele estiver fechado,
Que só domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.
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À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz.
Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima
Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.
Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha
No pavimento térreo,
Sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
E ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi.
Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?
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Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel emprestado que eu guio?
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Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,
Guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço,
E, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível,
Acelero...
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo sem vê-lo,
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À porta do casebre,
O meu coração vazio,
O meu coração insatisfeito,
O meu coração mais humano do que eu, mais exacto que a vida.
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Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao volante,
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...
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Álvaro de Campos
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Nota: O 'eu' do poeta não se adapta ao 'agora', a ostentação não lhe disfarça a doença, a terra dos reis é insuficiente. Apenas uma rapariga parece ser feliz, a pensar que os outros é que são felizes.
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Por detrás da consciência
Sealed with a kiss
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Este é o som da primeira metade dos 60's que relembra Cliff Richard ou Buddy Holly. E, não é fácil saber de onde vem a magia desse tempo. A melodia ficou cá dentro com tanta ternura, que quando se volta a ouvir, a memória dói devagarinho. Mas, como em muitas outras coisas na vida, não há nada a fazer.
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Rene Schute
A brilhar nos olhos
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Durante os anos do comunismo soviético, a produção da animação dos países do Leste Europeu além de fortemente censurada pelo próprio regime, era quase desconhecida no mundo capitalista. A distância e a Guerra Fria separaram ainda mais a cultura desses países da cultura ocidental. Desse modo as escolas e os filmes de animação do Leste diferenciaram-se muito do sistema 'Walt Disney' de produção.
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O olhar de Deus
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Diante de Vós, Senhor, o mundo inteiro
é como um grão de areia na balança,
como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra.
De todos Vos compadeceis,
porque sois omnipotente e não olhais para os seus pecados,
para que se arrependam.
Vós amais tudo o que existe
e não odiais nada do que fizestes;
porque, se odiásseis alguma coisa,
não a teríeis criado.
E como poderia subsistir,
se Vós não a quisésseis?
Como poderia durar,
se não a tivésseis chamado à existência?
Mas a todos perdoais,
porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida.
O vosso espírito incorruptível está em todas as coisas.
Por isso castigais brandamente aqueles que caem
e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados,
para que se afastem do mal
e acreditem em Vós, Senhor.
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Livro da Sabedoria
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